Porque Doria não tem chance de entrar em segundo turno das eleições 2022?

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) deve se candidatar à presidência da república em 2022, como o candidato Tucano. No entanto, para a população Doria representa a visão da velha política, e tudo que o brasileiro não quer é outro político fazendo ‘mais do mesmo’. Além disso, apesar de estar em um partido centrista, Doria tem uma postura de extrema-direita, e a tendência é que governos desse estilo comecem a perder a credibilidade.

História Política de Doria

Doria foi eleito para o primeiro cargo público 1983 quando foi nomeado secretário de Turismo e presidente da Paulista. Em 1986 foi presidente da Embratur. Ambas são estatais ligadas ao turismo.

Política de cortes de gastos como prefeito!

Em 2016 Doria foi eleito Prefeito de São Paulo e ali Doria já demonstrava seu apego pela extrema-direita. Pois, seu mandato foi marcado pelos cortes na educação, cultural e saúde pública. Em seu governo houve um corte de 28% na verba destinada para a educação. Corte de 20,7% na verba destinada para a saúde e contingência de recursos de 43,5% no investimento em cultura. Além disso, Doria também fez cortes de 44,5% na área ambiental. Em saneamento básico, os cortes chegaram a 25%.

Contudo, os cortes na educação tiveram impacto direto nos alunos. Em algumas escolas municipais chegou a faltar leite, e outros alimentos para a merenda, além do material escolar.

Tentando manter a lei e a ordem, Doria ‘decretou guerra’ contra os jovens pichadores da cidade. Doria sancionou uma lei que cria multa de R$50 mil para quem pichar monumentos públicos. Quem não tiver condições de pagar poderá prestar serviços comunitários e pintar o muro de cinza.

Apesar de ter prometido cumprir o mandato até o fina, Doria deixou a prefeitura para concorrer ao Governo do Estado. E foi eleito governador de São Paulo em 2018.

Censura e repressão como governador

Como governador, Doria mais uma vez mostrou características de um governo de extrema-direita. Pois, sua principal preocupação é referente a segurança pública. Para esse setor, ele foi eleito com a seguinte promessa: Privatizar as penitenciárias, o que possibilita o enriquecimento de empresários através da mão de obra de apenados. Ele prometeu também valorizar policiais e integrar com a guarda municipal. E ainda aumentar a integração entre as policiais através do compartilhamento de dados.

Já para a educação, o governador aposta no Ensino a Distância e no fortalecimento do ensino profissionalizante. Na prática, o programa afasta os jovens das universidades e colabora com a formação menos crítica.

Até agora o que se viu foi o candidato tentando praticar a censura. Em abril deste ano, o governador mandou recolher uma cartilha para alunos do 8º ano que falava em sexo biológico, identidade de gênero e educação sexual.

O governador considerou o material inapropriado, segundo ele, o texto “fazia apologia à ideologia de gênero”, e por isso, mandou retirar as apostilas da sala de aula. Contudo, a Justiça Paulista considerou que a decisão do governador lesava o patrimônio público e o erário. E ordenou que o governador devolvesse às cartilhas aos alunos. Doria acatou a decisão, porém, colocou um texto na cartilha orientando os professores a passarem o conteúdo da forma que ele, governador, que não tem nenhuma formação em letras ou licenciatura, achava adequada.

Repressão às manifestações

Ainda em janeiro, Doria sancionou a lei de 2014 que proibi mais de 300 pessoas de fazerem manifestações sem cumprirem uma série de medidas burocráticas. Este era um aviso de que os atos contra o governo seriam reprimidos com austeridade.

A lei obriga os organizadores de manifestações realizar as seguintes ações: avisar as autoridades do ato com antecedência de 5 dias e preencher um formulário padrão com inúmeras informações que podem, inclusive, comprometer a segurança dos manifestantes. Quem violar a lei pode ser preso como um criminoso. Por estar exercendo o seu dever de crítica ao governo.

O decreto foi publicado dias após a Polícia Militar reprimir com violência uma manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens na capital.

Nesse ato, o fotojornalista da Ponte Jornalismo, Daniel Arroyo, foi atingido com um tiro de borracha no joelho enquanto cobria a manifestação. A repressão ao movimento foi tão forte que a violência iniciou mesmo antes da marcha. E os manifestantes não conseguiram nem sequer percorrer o trajeto mínimo estipulado pelo MPL.

Ainda sobre segurança, o governador vetou o projeto de lei de autoria da deputada Beth Sahão (PT), o qual obrigava todas as delegacias da mulher no Estado a funcionarem durante as 24h do dia.

Cenário mundial

O primeiro presidente que apresenta políticas de extrema-direita a ser eleito na América na última década foi o argentino Maurício Macri em 2015. Após um governo considerado como um desastre por parte dos argentinos, o então presidente não deve conseguir a reeleição.

Macri fez cortes à saúde, educação e cultura. Realizou reformas que prejudicaram a classe trabalhadora. E ainda desestabilizou a economia do país, com depreciação ativa da moeda argentina; Risco de não pagamento das dívidas com os países vizinhos, o que diminuiu as exportações; E risco de confisco no dinheiro dos argentinos. O que está gerando enormes filas nos bancos, todos querem retirar o que tem de dinheiro para impedir que o governo confisque.

O principal nome para as eleições na argentina este ano é o de Alberto Fernandez (PJ), que tem como sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner. Eles representam o centro-esquerda no país.

Caso o cenário político se confirme e Macri não seja reeleito, essa tende a ser o início da virada mundial da esquerda. Ainda na América, o segundo presidente de extrema-direita a ser eleito foi o Donald Trump, nos Estados Unidos!

A repressão aos imigrantes, com crianças sendo postas em grades e separadas dos pais, e o risco iminente de uma guerra contra a China, fizeram com que 63% dos cidadãos reprovem o governo.

Por isso, a tendência é que candidatos com a linha de pensamento e ações de Doria não tenham chances de disputar as eleições de forma competitiva e ir para o segundo turno.

Leia também: Cenário Segundo Turno – Doria x Bolsonaro

Outros candidatos

De acordo com o cenário mundial a tendência é que candidatos com um discurso mais moderado e de centro-esquerda tenham maiores chances de ir para o segundo turno nas próximas eleições. O PT, deve vir com força tendo novamente Fernando Haddad como seu candidato. O PDT deve vir com Ciro Gomes. Ambos os candidatos têm chances de irem para um possível segundo turno.

No entanto, entre os candidatos com a visão de extrema-direita, o único que deve ter chances de disputa no segundo turno é o então presidente Jair Bolsonaro.

Por isso, a tendência é que Doria seja o candidato do PSDB, mas não chegue ao segundo turno das eleições presidenciais.

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